O passo começa o voo que vai do chão para o infinito. *Mário Lago

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O Amor continua

 Aproveitei os dias de calmaria interior do  Carnaval, já que não havia programado nenhuma folia em especial, para assistir ao "This Is It", que são os ensaios do grandioso show que faria o saudoso Michael Jackson e assumo, estou até agora impactada.
Sempre gostei dele,  afinal, sou dessa geração e desde o Jackson Five, Michael animou a minha adolescência.
Não sei explicar exatamente o que senti, assistindo a esses ensaios tamanha a emoção, mas não foi apenas uma emoção de fã, foi uma emoção de irmã. Irmã, da mesma Terra, da mesma crença no ser humano, do mesmo amor.
O jeito de sentir do Michael foi tão especial, que é preciso muita sensibilidade para captá-lo, apesar da grandiosidade de seu trabalho como cantor e dançarino. E há, também, de se observar neste ensaio a sutileza com que ele a tudo conduz, suas palavras, seus gestos educados e fortes, de quem sabe o que faz e sabe aonde quer chegar.
Não há uma continuidade temporal explícita, mas à medida que vai chegando a etapa final dos ensaios, o sorriso dele vai se abrindo, e a gratidão aumentando. Ele não fala muito, mais canta e lindamente, como sempre! Mas o pouco que falou, disse frases marcantes, mensagens que mexem com a nossa sensibilidade, eis algumas: "Amo vocês!"; "Que Deus abençoe a todos vocês!" ; "Cuidem da saúde, estejam bem!"; "Não espere que o governo resolva tudo, porque nunca resolverá, faça a sua parte!" ; "Vamos cuidar da natureza, do planeta!"; "Gosto de passar mensagens de preservação da natureza!" "Amo a natureza!"
 Essas e algumas outras frases foram ditas ali por aquele homem que parecia tão frágil, por ter uma voz tão doce, mas que teve dentro de si a força de um guerreiro, um guerreiro da luz!
Sua missão foi curta, deixou saudades e ausências muito marcantes dentro do coração de seus familiares e fãs, principalmente no coração de seus filhos, que se sentiram dilacerados com a perda e todo o sofrimento vindo posteriormente.
As cicatrizes ficaram, mas como todas as cicatrizes, podem  virar símbolo, dando significado a vidas que precisam e devem continuar, porque isso era o que pregava Michael, a meu ver e acima de tudo, o amor à vida!

"This is it"   is "Love of life"! I think! I I feel! "I love you!"

 I Love you, Michael and family Jackson!
Thank you!

Roseane S. Barros
19.02.2015

domingo, 2 de março de 2014

Sonho


Devia era, logo de manhã, passar um sonho pelo rosto. 
É isso que impede o tempo e atrasa a ruga.

*Mia Couto

Adoção de animais



                                                                 Adote o seu amor!

Livros



                                         Não fale de pessoas, fale de livros!
                               

Adoção


 Infância é uma palavra que mora eternamente dentro da gente, sabemos...

 Mas é possível  transformá-la em outra infância, talvez até mais feliz,  se necessário for, sabe como?

Na vida de outra criança. 

Tudo aquilo que não se teve, será dado, tudo aquilo que não se conseguiu aprender, será ensinado, todo o amor que tenha sido negado, será doado em dobro.

Está explicado?

Filho é aquele que nasce do coração!
.

Vastidão

 
Você tem toda razão: é tudo vasto. Essencialmente vasto. Generosamente vasto. Assustadoramente, também. Tão assustador que, pelo medo, muitas vezes inventamos e mantemos cativeiros que nos afastam da liberdade de sermos nós mesmos e de sermos felizes sendo nós mesmos. Que nos afastam da liberdade de avançar, gesto a gesto, incluindo os tropeços, as mancadas e os cansaços todos da nossa experiência, na direção do nosso conforto mais genuíno. Da nossa alegria mais profunda. Do jeito mais nosso de somar no mundo. Da nossa paz mais macia. Disponíveis, acessíveis, mesmo quando precisamos também lidar com as adversidades invariáveis da nossa humanidade, os riscos, as incertezas, os improvisos que surpreendem os roteiros, os sofrimentos.
 
Você tem toda razão: é tudo vasto. Essencialmente vasto. Generosamente vasto. Assustadoramente, também. Tão assustador que, pelo medo, muitas vezes nomeamos carcereiros e lhes atribuímos poderes, responsabilidades e chaves que, mesmo que quisessem, eles não têm, pois os poderes, as responsabilidades, as chaves, estão o tempo todo no mesmíssimo lugar onde os guardamos sem lembrar de tê-los escondido. Sem lembrar que são nossos e que o acesso a eles só pode acontecer se entrarmos e passearmos, receptivos, desarmados, desnudos de ego o máximo possível, no nosso próprio coração.
 
Você tem toda razão: é tudo vasto. Essencialmente vasto. Generosamente vasto. Assustadoramente, também. Mas se é nossa intenção sermos felizes, prósperos, bondosos, fazer florescer sementes de amor na nossa passagem por aqui, mesmo com todo medo do mundo, precisamos querer de verdade ir além da nossa assustada e acomodada estreiteza. Tantas vezes, tão doída. Tantas vezes, tão motivadora. 

Você tem toda razão: é tudo vasto. Essencialmente vasto. Generosamente vasto. Assustadoramente, também. Inclusive, o próprio amor. Que não tem limites. Que tudo pode curar. Que tudo pode abraçar. Que tudo pode transformar, contrariando as perspectivas apertadas e assustadíssimas das temporadas nos cárceres.

*Ana Jácomo

domingo, 10 de novembro de 2013

Mandalas Florais


Mandala:

Diagrama composto de formas geométricas concêntricas, utilizado no hinduísmo, no budismo, nas práticas psicofísicas da ioga e no tantrismo como objeto ritualístico e ponto focal para meditação [Do ponto de vista religioso, o mandala é considerado uma representação do ser humano e do universo; em sua forma menos elaborada, é denominado iantra.] (Fonte: Houaiss)

A artista plástica americana Kathy Klein, de 48 anos, é a criadora destas belíssimas mandalas florais, que aliás, foram batizadas com outro nome: "Danmala" ( Em sânscrito védico, “dan” significa dar, e “mala”, guirlanda de flores), a inspiração veio após algumas meditações, em 2010 e desde o dia da primeira criação, ela não parou mais.

"Hoje a minha mente está em completa paz, e o meu coração, repleto de amor", Diz Kathy. Que após criar a sua mandala e faz isso diariamente,  deixa que seu marido a fotografe e coloque em seu site a sua fotografia.

Site de Kathy Klein:  http://www.danmala.com/




Fonte de pesquisa: http://casa.abril.com.br

Paz e amor! ♥

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Ai, palavras, ai, palavras...


Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai palavras,
sois o vento, ides no vento,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!

Ai, palavras, ai palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois audácia,
calúnia, fúria, derrota…

A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora…
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam…

*Cecília Meireles

domingo, 28 de julho de 2013

Renova-te

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

*Cecília Meireles

Canção do vento e da minha vida.

Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos. 
O vento varria os sonhos
E as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres. 
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo. 
Manuel Bandeira

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Jornada Mundial da Juventude de 2013


Trecho do discurso de chegada do Papa Francisco ao Brasil, no RJ, na Jornada Mundial da Juventude, em 2013.

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Vejo o povo gritando, querendo tocar ao menos a mão do Papa. Os jornalistas divulgam com tremenda admiração cada vez que ele fala com alguém, permitindo que alguém simples se aproxime. Fato que me fez pensar, "por que tanta admiração?" Não é uma atitude normal de quem é cristão? O próximo é seu irmão e os humildes são os que mais precisam de seu carinho e aconchego. Jesus não fez o mesmo? Embora seja uma presença importante aos olhos do mundo terreno, o Papa Francisco é um ser humano comum aos olhos de Deus, ainda que tenha uma missão muito especial diante da comunidade religiosa, orientar e cativar todos os que seguem a sua religião. Ele, certamente, entendeu tudo isso, pois age de forma natural, simples e amiga quando está entre todos. Suas palavras são singelas, propostas simples de amor e caridade, seu sorriso carismático toca os nossos corações, apelando o nosso lado mais humano. Que a sua vinda não seja esquecida e que todos nós possamos ajustar nosso comportamento para uma maior solidariedade com os mais necessitados. Que os governantes, os mais abastados e todos os religiosos não fiquem indiferentes aos que mais sofrem, os doentes, os pobres e os renegados. Que jamais nos esqueçamos que somos todos irmãos em Cristo!
"Fé, esperança e caridade!"

Ane S. Barros 
25.07.2013

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Cecília Meireles - Frase


Penso que sendo o céu redondo, um dia nos encontraremos...

*Cecília Meireles

Oficialmente Velho



Neste mês de dezembro completo 70 anos. Pelas condições brasileiras, me torno oficialmente velho. Isso não significa que estou próximo da morte, porque esta pode ocorrer já no primeiro momento da vida. Mas é uma outra etapa da vida, a derradeira. Esta possui uma dimensão biológica, pois irrefreavelmente o capital vital se esgota, nos debilitamos, perdemos o vigor dos sentidos e nos despedimos lentamente de todas as coisas. De fato, ficamos mais esquecidos, quem sabe, impacientes e sensíveis a gestos de bondade que nos levam facilmente às lágrimas,
Mas há um outro lado, mais instigante. A velhice é a última etapa do crescimento humano. Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir a existência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar o nosso destino. Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer. Então entramos no silêncio. E morremos.
A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer. Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: “na medida em que definha o homem exterior, nesta mesma medida rejuvenesce o homem interior”(2Cor 4,16). A velhice é uma exigência do homem interior. Que é o homem interior? É o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical. Esta identidade devemos encará-la face a face.
Ela é pessoalíssima e se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe. Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis. Eu, por exemplo, fui franciscano, padre, agora leigo, teólogo, filósofo, professor, conferencista, escritor, editor, redator de algumas revistas, inquirido pelas autoridades doutrinais do Vaticano, submetido ao “silêncio obsequioso” e outros papéis mais. Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Então deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos: Afinal, quem sou eu? Que sonhos me movem? Que anjos que habitam? Que demônios me atormentam? Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério? Na medida em que tentamos, com temor e tremor, responder a estas indagações vem à lume o homem interior. A resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do Inefável.
Este é o desafio para a etapa da velhice. Então nos damos conta de que precisaríamos muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina. Surpresos, descobrimos que não vivemos porque simplesmente não morremos, mas vivemos para pensar, meditar, rasgar novos horizontes e criar sentidos de vida. Especialmente para tentar fazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhos que nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com os fracassos e buscando sabedoria. É ilusão pensar que esta vem com a velhice. Ela vem do espírito com o qual vivenciamos a velhice como a etapa final do crescimento e de nosso verdadeiro Natal.
Por fim, importa preparar o grande Encontro. A vida não é estruturada para terminar na morte, mas para se transfigurar através da morte. Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a Última Realidade, feita de amor e de misericórdia. Aí saberemos finalmente quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome.
Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: “contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade”.
Por fim, alimento dois sonhos, sonhos de um jovem ancião: o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa:”eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver”. Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus. Parafraseando Camões, completo: mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida.




 *Leonardo Boff , em 2008 . 
( Teólogo, filósofo e escritor)